Fronteiras 2018/19: Questões Emergentes de Preocupação Ambiental

04 March 2019
Authors: UN Environment

Das inovações e dilemas éticos da biologia sintética às opções de adaptação global às mudanças climáticas, o Relatório Fronteiras 2018/19 explora as questões ambientais emergentes que o planeta está enfrentando

Frontiers 2018 cover Será que as técnicas de edição genética beneficiarão a saúde humana e do meio ambiente? Os regulamentos atuais podem controlar eficientemente as consequências ecológicas? Agiremos a tempo de impedir a degradação do pergelissolo oriunda da mudança climática e evitaremos atingir o descontrole do efeito estufa? Podemos evitar os perigos da má adaptação à mudança climática e avançar com sabedoria para mitigar seus impactos mais danosos – para a coletividade e não para algumas pessoas?
A série Fronteiras da ONU vincula a nova ciência às políticas orientadas por resultados com relação à saúde da natureza e à sustentabilidade. A edição 2018/19 manteve a tradição dos textos referenciais, acompanhados de infográficos ilustrativos e links interativos levando para vídeos com pesquisas e informações relacionadas.

Lançado em 4 de março de 2019, antes da 4ª Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente em Nairóbi, no Quênia, o Relatório Fronteiras 2018/19 cobre cinco questões emergentes principais: os últimos desenvolvimentos da biologia sintética; a importância de conectar as paisagens; as complexas interações e vulnerabilidades do pergelissolo; os desafios da poluição por nitrogênio; e os perigos da má adaptação em um mundo de mudanças climáticas. Abaixo você poderá encontrar um esboço de cada capítulo.

Biologia sintética: remodelando o meio ambiente

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© coniferconifer, licensed under CC BY 2.0 A capacidade de modificar geneticamente os organismos animou tanto os cientistas quanto o público em geral. As técnicas de edição genética estão avançando rapidamente, trazendo a promessa de benefícios biológicos e ecológicos para o futuro, como a erradicação de doenças humanas até a prevenção da extinção de espécies. Atualmente, a ferramenta CRISPR-Cas9 é a mais ágil e recente para a edição genética e permite a manipulação precisa de genomas.

No entanto, a capacidade de criar vida sintética e alterar DNA pode provocar contaminação cruzada e outras consequências acidentais. O hackeamento de códigos genéticos pode ter implicações tão graves que é necessária a colaboração e cooperação dos órgãos governamentais para garantir pesquisas e desenvolvimentos seguros. A popularização dos biohackers e o risco de liberação acidental de organismos geneticamente modificados no meio ambiente é motivo de grande preocupação. Esse capítulo explorará muitos dos benefícios e desafios da biologia sintética.

Conectividade ecológica: uma ponte para preservar a biodiversidade

image© Jess Kraft /Shutterstock.com A industrialização em larga escala resultou na fragmentação global generalizada de paisagens que por muito tempo permaneceram intactas. Do desmatamento de florestas tropicais ricamente povoadas até o represamento de importantes rios, o efeito indireto dos ecossistemas isolados e impactados é prejudicial para a saúde da flora e da fauna e, em casos graves, pode provocar a extinção de espécies. Além disso, os ecossistemas não se limitam à esfera terrestre, pois a conectividade se estende para além das costas continentais, passando também pelas paisagens marinhas e pelos oceanos.

Iniciativas para conectar o mundo natural estão levando esperança a diversos locais no globo, mas é necessário focar ainda mais no planejamento para reconectar habitats já afetados ou preservar a conectividade ainda existente. Isso é vital para guardarmos a biodiversidade remanescente e protegermos os ecossistemas interligados, dos quais todos dependemos. Os esforços nacionais exigem expansão para o nível internacional, pois as paisagens ultrapassam as fronteiras dos países. Das reservas marinhas aos corredores de vida selvagem, este capítulo explora as questões e soluções para a fragmentação do mundo natural e a necessidade do pensamento conjunto para planejar a preservação e a conservação da biodiversidade e a sobrevivência das espécies.

Pergelissolo: o degelo em um mundo em aquecimento

image© Hans Joosten Com o aumento da temperatura global, o Ártico está aquecendo em média duas vezes mais rápido que o resto do mundo, o que tem deixado os cientistas cada vez mais preocupados por conta do degelo acelerado do solo dessa região. Por ainda haver pesquisas em andamento, pouco se sabe sobre as complexas relações e dinâmicas entre o solo constantemente congelado (pergelissolo) e a camada isolante de restos de plantas mortas (turfas) que cobre uma porcentagem significativa das áreas setentrionais do planeta.

Contudo, o degelo desse solo não só tem impactos diretos sobre a ecologia e a infraestrutura das turfas, como também é um elemento decisivo para o descontrole do efeito estufa. A preservação desses depósitos ricos em carbono é imprescindível para amortecer os impactos globais da mudança climática e evitar os altos riscos de liberação desses ativos congelados na atmosfera – pois há carbono e outros gases de efeito estufa presos no subsolo, fora da atmosfera. Cenários prováveis e uma pesquisa colaborativa extremamente importante para garantir a preservação do pergelissolo são minuciosamente explorados neste capítulo, que trata da superfície terrestre ao ar.

A fixação do nitrogênio: da poluição à economia circular 

image© Lynn Ketchum / Oregon State University, licensed under CC BY-SA 2.0 O nitrogênio é um dos elementos naturais mais abundantes e benignos em suas formas não reativas. No entanto, coisa boa em excesso também pode ser prejudicial – e o excesso de poluição por nitrogênio tem graves impactos nos ecossistemas e seres humanos. Na forma de óxido nitroso, essa substância se torna 300 vezes mais poderosa como gás de efeito estufa que o dióxido de carbono – além de outros compostos nitrogenados terem vários impactos na qualidade do ar, no solo, na água e na camada de ozônio.

É necessária uma abordagem global coesa acerca do gerenciamento de nitrogênio para transformar seu ciclo de contaminação em uma economia circular sustentável, não poluente e rentável. Embora tenha havido progresso a nível nacional, é fundamental a cooperação internacional para implementarmos estratégias verdadeiramente eficazes para seu gerenciamento. Esse capítulo explora os detalhes e a química da poluição por nitrogênio e as possíveis formas de corrigi-la. Se for bem-sucedida, a transição para uma economia circular poderá levar a boas decisões científicas e políticas para alcançarmos um planeta mais limpo.

Má adaptação às mudanças climáticas: evitando as dificuldades evolutivas

image© ebvImages, licensed under CC BY 2.0 Em termos gerais, a evolução depende de uma boa adaptação e o contrário leva à falha. Quanto à mudança climática, as estratégias de adaptação incluem enfrentar as vulnerabilidades e aumentar a resiliência em escala global, além de evitar soluções de curto prazo, que podem se limitar a trazer benefícios locais. Percebe-se cada vez mais que a cooperação e o planejamento internacional são importantes para evitarmos falsas adaptações – quando parece que o problema foi resolvido, mas na verdade foi agravado.

Esse capítulo explora a distinção entre três tipos de adaptação: verdadeira, má e falsa, além de investigar discussões em fóruns internacionais e estudos de caso sobre o que constitui má adaptação em relação ao imperativo de manter o aumento da temperatura média global pós-industrial abaixo de 1,5°C. Essa área focal relativamente nova para os dirigentes exercitará o atributo da previsão, a fim de atingirmos a necessária evolução. Será necessária uma visão de longo prazo na elaboração de políticas de desenvolvimento e adequação para tomar as decisões sustentáveis certas para as gerações futuras.