30 Sep 2019 Story Ecossistemas

Produtores de cacau adotam práticas sustentáveis

Photo by Ecosystem Service for Poverty Alleviation/Flickr

Você sabia que, em geral, menos de 7% do preço da sua barra de chocolate é destinado aos produtores de cacau? Ou que grandes quantidades da produção global de cacau estão associadas ao desmatamento ilegal e à perda de biodiversidade?

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e seus parceiros vêm trabalhando há muitos anos em projetos destinados a tornar a indústria do cacau mais ecológica e sustentável.

Greening the Cocoa Industry é um desses projetos. Seu objetivo é mudar as práticas de produção e de comércio nos principais países produtores de cacau e nas empresas de chocolate, visando à conservação da biodiversidade, à provisão de maior estabilidade a longo prazo a todos os participantes da cadeia de valor e ao aumento de renda para pequenos agricultores.

"Nossa fazenda é sustentável porque é diversificada”, diz Clavelina Sánchez em sua fazenda em Nueva California, na região de Junín, no Peru. “Temos café, cacau, bananas, laranjas, urucum, mandioca, taioba, galinhas, madeira e muito mais”.

“Quando se trata da produção de cacau, nossa fazenda é modelo: outros agricultores [vêm] receber treinamento e observar exemplos práticos. Seguimos nossos princípios e os praticamos: agricultura sustentável e diversificação da produção nos ajudam a gerar mais renda. Cuidamos da biodiversidade e melhoramos nossa qualidade de vida. Por exemplo, [pelo projeto] aprendemos a usar árvores nativas kudzu e comelinas para sombra e como cobertura do solo”.

“Nosso principal objetivo é cuidar do solo e gerenciá-lo adequadamente. Isso é fundamental para obter uma colheita saudável e produtiva que nos dê comida e renda suficiente para nossas famílias”.

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As melhores práticas de manejo do cacau envolvem a conservação da biodiversidade. Foto: Flickr

Globalmente, o projeto cobre pelo menos 10% da produção mundial de cacau - 350.000 toneladas, cultivadas em 750.000 hectares por 250.000 agricultores. O projeto também aborda os fatores de perda de biodiversidade, incluindo mudança de habitat e superexploração e apoia o desenvolvimento de sistemas de certificação das melhores práticas de gestão do cacau que conservem a biodiversidade.

"O objetivo geral do projeto de vincular a sustentabilidade do cultivo do cacau à conservação de áreas chave (hotspots) de biodiversidade tem um grande potencial de expansão", diz Johan Robinson, chefe da Unidade de Biodiversidade e Degradação de Terras do Fundo Mundial para o Meio Ambiente do PNUMA.

Resultados do projeto

O uso dos requisitos padrão da Sustainable Agriculture Network (SAN) como uma ferramenta para promover a sustentabilidade na fazenda e conservar a biodiversidade dentro e fora dela tem sido eficaz.

Os auditores do projeto certificaram a conformidade de 182.362 fazendas com o padrão da SAN, em um total de 896.654 hectares, incluindo 64.559 hectares de terras cultivadas para proteção. O projeto também contribuiu para conservar a biodiversidade em algumas paisagens selecionadas de cultivo de cacau, como o Projeto Tai na Costa do Marfim, o Projeto Juabeso/Bia no Gana e o projeto Kanyang na Nigéria.

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Clavelina Sánchez em sua fazenda em Nueva California, no centro de Peru. Foto: Rainforest Alliance

Essas atividades foram apoiadas por mais de 54 marcas e varejistas comprometidos com a sustentabilidade.

Esses compromissos corporativos contribuíram significativamente para o co-financiamento adicional de US$ 24,5 milhões que o projeto conseguiu angariar ao longo de sua vida, enquanto as mensagens de comunicação ajudaram a aumentar a conscientização dos consumidores e agricultores sobre o valor das práticas sustentáveis.

As vendas de cacau certificado pela Rainforest Alliance agora representam 5% das vendas globais. Além disso, uma quantidade muito maior de cacau está sendo produzida de maneira sustentável do que aquela sendo vendida com a certificação da Rainforest Alliance.

O programa de cacau da SAN/Rainforest Alliance registrou um crescimento significativo nos últimos cinco anos, sendo que cerca de 1 milhão de hectares de terras agrícolas de cacau em 15 países conseguiram a certificação da SAN/Rainforest Alliance em 2016. O cacau certificado pela Network/Alliance agora compreende 13,6% do suprimento mundial de cacau, com um aumento cada vez maior na demanda dos grandes compradores de cacau para obter cacau sustentável.

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Rimberti Prudencio, líder da comunidade, foi treinado pelo projeto como "agricultor guia". Ele mostrou a Sánchez e outros agricultores locais como cultivar cacau de maneira sustentável. Foto: Rainforest Alliance

A Rainforest Alliance, em colaboração com a World Cocoa Foundation, criou manuais para facilitar a produção de cacau com baixa emissão de carbono, para apoiar a resiliência climática a longo prazo.

Greening the Cocoa Industry, um projeto de 2013 a 2019 financiado pelo Global Environment Facility e implementado pelo PNUMA, abrange o Brasil, Costa do Marfim, República Dominicana, Equador, Gana, Guiné, Indonésia, Nigéria, Madagascar, Papua Nova Guiné e Peru, e tem total apoio do governo em cada país.

O principal parceiro que executa o projeto é a Rainforest Alliance.

O Dia Mundial do Cacau e Chocolate é comemorado no dia 1 de outubro. O Dia é uma criação da Organização Internacional do Cacau e da Académie Française du Chocolat et de la Confiserie, e foi iniciado para conscientizar o público geral das condições de vida dos produtores de cacau em todo o mundo, em um esforço para construir uma economia sustentável do cacau. Ao incentivar uma indústria local de chocolate, contribui-se para a diversificação econômica e ajuda-se a garantir uma renda melhor para os agricultores.

Para mais informações, entre em contato com Ulrich Piest