11 Dec 2019 Notícia Mudança climática

Relatório da Global Alliance aponta o caminho para reduzir o impacto da construção civil

  • Edifícios e construções geram quase 40% das emissões de CO2, mas ações continuam muito aquém das oportunidades.
  • Com uma janela aberta para o reforço dos planos do Acordo de Paris, o setor será fundamental para catalisar ações climáticas.

Madrid, 11 de dezembro de 2019 - A maneira como os edifícios são construídos, projetados e operados precisam de melhorias drásticas urgentes para que o setor de construção civil, que possui importância global, contribua com as metas internacionais estabelecidas no Acordo de Paris.

Um relatório global, divulgado hoje na Conferência das Nações Unidas sobre o Clima em Madrid, mostra que a poluição causada pelos prédios no mundo todo, e pela sua construção, continua em cerca de 39 por cento das emissões totais de dióxido de carbono.

Várias tendências preocupantes - que os governos precisam abordar desde já para garantir o cumprimento da Agenda 2030 em adiante - ofuscaram as tendências positivas apresentadas.

Sem mudanças, a demanda de energia para esse setor poderá aumentar em 50% até 2060, de acordo com a Aliança Global para Edifícios e Construção (em inglês, Global Alliance for Buildings and Construction - GlobalABC), sediada pelo PNUMA.

O relatório destaca que não estamos no caminho certo. Sem uma ação séria e sustentada, e com as demandas crescentes de energia desse setor, não poderemos realizar a transição climática ou alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Emissões em alta

A avaliação de 2018 do ano passado indicou que governos, organizações e empresas estavam progredindo e que as emissões totais podem ter atingido seu pico.

Essas melhorias foram vinculadas a ganhos de eficiência energética em áreas como aquecimento, iluminação e cozinha, apoiadas pelas empresas e residências que passaram a ser alimentadas por formas mais limpas de energia, como a eólica e a solar.

Mas o relatório de hoje, produzido pela Agência Internacional de Energia (AIE) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), mostra que enquanto as emissões voltam a aumentar, as atividades para lidar com as emissões estão paradas.

Isso reflete as tendências globais de emissões globais, que atingiram níveis recordes em 2018.

Esse aumento nas emissões é causado, em grande parte, pelo aumento da demanda de energia, inclusive para indústrias de alto consumo energético, como do aço, o que gera uma maior queima de mais combustíveis fósseis, como o carvão, para produção de energia.

Desaceleração dos investimentos em eficiência energética

O Relatório de Status Global de 2019, produzido para o GlobalABC, também destaca uma 'desaceleração' e um subinvestimento persistente nas medidas de eficiência energética urgentemente necessárias para reduzir as emissões e preparar o terreno para a descarbonização do setor.

Aumento de demanda por refrigeração gera preocupação

O relatório aponta tendências positivas em algumas áreas, incluindo a introdução de sistemas de iluminação eficientes como LEDs; janelas melhoradas e sistemas de isolamento; um aumento de mais de 20% no uso de fontes renováveis ​​de energia desde 2010 e um declínio no uso de energia para aquecimento.

No entanto, a área construída cresceu 23% em todo o mundo desde 2010 e três por cento desde 2017, enquanto o consumo de energia nos edifícios cresceu sete por cento desde 2010 e um por cento desde 2017.

Uma área de particular preocupação é o crescimento da 'refrigeração ambiente' por meio do aumento no número e do uso de aparelhos de ar condicionado, que mais do que triplicou desde 2010 e cresceu três por cento desde 2017.

Os aparelhos de ar condicionado usam eletricidade, tipicamente gerada a partir de combustíveis fósseis, mas têm um efeito duplo, pois também usam produtos químicos para refrigerar (CFC e HCFCs), poderosos gases de efeito estufa se liberados na atmosfera.

  • Esforços estão sendo feitos sob a Emenda Kigali ao Protocolo de Montreal para promover aparelhos de ar condicionado mais eficientes que também usem fluidos refrigerantes com ‘baixo potencial de aquecimento global’
  • Países em desenvolvimento, muitos dos quais estão em regiões quentes do mundo, apresentam o maior crescimento no número de novas construções registrado. Os especialistas também apontam para a importância da projeção de prédios e urbanidades com resfriamento passivo pensado para o meio local, assim como de soluções baseadas na natureza, como florestas urbanas, telhados verdes e fachadas que reduzam a necessidade de sistemas de refrigeração elétrica.

2020: Construção protagoniza planos climáticos nacionais atualizados

Inger Andersen, Diretora Executiva do PNUMA, disse: “Estamos diante de duas realidades fundamentais. Nos próximos 30 anos, é provável que a população global cresça em dois bilhões, o que exigirá mais casas e construções: ao mesmo tempo, as nações precisam entregar um mundo neutro em carbono para evitar mudanças climáticas perigosas”.

“O setor de construção civil precisa enfrentar esse desafio, fornecendo casas e locais de trabalho acessíveis, de qualidade, confortáveis, saudáveis ​​e supereficientes”, acrescentou. “Entre hoje e o final de 2020, temos uma janela para que os governos apresentem Contribuições Nacionalmente Determinadas (CNDs) atualizadas sob o Acordo de Paris - incito as nações a considerar políticas, investimentos e ações mais fortes e mais específicas para transformar edifícios e construções”.

Fatih Birol, Diretor Executivo da AIE, ressalta que: “nossa análise mostra que o ritmo da melhoria da eficiência energética diminuiu para 1,2% de 2017 a 2018, enquanto precisamos de uma taxa de melhoria de 3% para atingir nossas metas de desenvolvimento sustentável. É por isso que criamos uma Comissão Global de Alto Nível para Ação Urgente em Eficiência Energética para recomendar como o progresso pode ser rapidamente acelerado por meio de ações políticas novas e mais fortes”.

A GlobalABC desenvolveu uma série de avaliações e guias projetados para apoiar governos e o setor privado na consecução desses objetivos, incluindo Roteiros Globais e Regionais em direção a um setor de construção e construção de zero emissão, edifícios eficientes e resilientes, e Um Guia para a Incorporação de Edifícios em CNDs.

Notas aos Editores

A Aliança Global para Edifícios e Construção (GlobalABC) foi um resultado importante da conferência climática da ONU de 2015 www.globlabc.org

O Relatório do Status Global para Edifícios e Construção Civil de 2019 pode ser encontrado em www.globalabc.org

O Guia GlobalABC CNDs está disponível em https://globalabc.org/uploads/media/default/0001/02/67fea075bbb7a9dc8dd08f2ddb3ebc0f41df8a97.pdf

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