22 Jul 2019 Story Ecossistemas

Cineasta e parapentista de Hong Kong une-se a campanha da ONU Meio Ambiente

Photo by @guyboltonphotography

“Ele se juntará a atletas famosos como o escalador canadense Will Gadd, o ciclista austríaco Michael Strasser, a esquiadora queniana Sabrina Simader e o aventureiro britânico Ben Fogle, que ajudam a chamar a atenção para questões ambientais emergentes nas montanhas, incluindo mudanças climáticas, gestão de resíduos e perda de biodiversidade.”

Como parapentista, Wood está acostumado a organizar expedições a alguns dos mais altos picos do mundo, com o objetivo de tentar uma descida de voo. Wood está planejando — em algum momento no futuro próximo, quando a logística e as condições estiverem boas — voar com velocidade do cume do Mont Blanc para chamar a atenção à pegada ambiental do turismo na região e à terrível situação de declínio das geleiras nos Alpes europeus.

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 O parapentista, empreendedor e cineasta ambiental de Hong Kong Malcolm Wood é o novo participante da campanha da ONU Meio Ambiente. ​Foto de: @codytutts

Enquanto ele sobe e observa as montanhas, Wood acha difícil ignorar os sinais claros da mudança climática. O gelo derretido é um deles. Mer de Glace, uma das geleiras mais icônicas dos Alpes, está retrocedendo a taxas muito mais rápidas do que cinco ou dez anos atrás. Os alpinistas e esquiadores não podem deixar de notar e questionar o aumento das avalanches.

Com essas mudanças ocorrendo nas montanhas, a maioria das pessoas não percebe que quase um terço da população mundial depende da geleira e do gelo derretido para obter água doce. Com as geleiras desaparecendo em algumas das mais altas cadeias de montanhas, mais de 2 bilhões de pessoas serão afetadas em todo o mundo.

“O objetivo da campanha ‘Heróis da Montanha’ é aumentar a consciencialização sobre a crise climática nas montanhas e instar a ação climática global, de acordo com apelos semelhantes de António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas”, afirma Jurek.

Como cineasta ambiental, Wood e sua equipe decidiram recentemente usar parapentes para obter ângulos inéditos com a intenção de fornecer evidências da crise climática, aumentar a conscientização sobre as mudanças e inspirar ações para evitar uma maior deterioração do clima. Seu mais recente projeto, apropriadamente chamado de “The Last Glaciers” (As últimas geleiras, em tradução livre), tem como objetivo apresentar visualmente as mudanças radicais que estão ocorrendo em nosso planeta.

“Como piloto de parapente, acho que posso ter uma maior conscientização e compreensão sobre o meio ambiente”, diz Wood.

“Acho que qualquer pessoa com uma compreensão maior do que está acontecendo ou do que está vendo deve compartilhar essas experiências, esse conhecimento, com outras pessoas. Espero que, de alguma forma, possamos inspirar outros pilotos e indivíduos praticantes de parapente a contar suas histórias, compartilhar suas experiências com mais pessoas e tentar ajudar a enfrentar esse problema aterrorizante juntos, como uma comunidade.”

Desafio peruano

Uma das expedições dentro do projeto foi a da Cordillera Blanca, no Peru, onde muitas das geleiras tropicais do mundo podem ser encontradas.

Estudos mostram que as geleiras no Peru perderam um terço de sua área de superfície desde 1970, e há uma séria preocupação de que dentro dos próximos 40 anos essas geleiras podem desaparecer completamente — uma grande ameaça para as comunidades que dependem da água de degelo. Cidades como Huaraz, no centro do Peru, absorvem 90% de seu suprimento de água das geleiras durante a estação seca.

O agora inevitável degelo das geleiras no Peru reduzirá o abastecimento de água em lugares que já sofrem com a escassez — 28% da população rural do Peru não têm acesso a água potável, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Informática.

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Devido ao derretimento das geleiras, a descida é muitas vezes a parte mais perigosa. Malcolm Wood tem usado parapentes ultraleves para descer quando as condições o permitem. Foto de @guyboltonphotography

Como parte dessa expedição ao Peru, Malcolm e sua equipe começaram a realizar o primeiro voo duplo de um pico de aproximadamente 6 mil metros, em uma das regiões mais turbulentas do mundo para parapente.

Depois de chegar ao cume pela primeira vez, no entanto, a equipe decidiu que as condições do vento eram muito fortes. Eles fizeram uma segunda tentativa no dia seguinte, apesar de terem ficado sem comida, o que levou a uma escalada exaustiva. Malcolm derrotou com sucesso o cineasta Craig Leeson depois de um voo duplo de parapente, permitindo que a equipe visse toda a cadeia montanhosa, proporcionando uma perspectiva única sobre o recuo do gelo e da neve.

Malcolm sempre esteve pronto para desafios extremos e agora está colocando isso à prova. Será que ele e outros podem inspirar um sistema quebrado e decadente à mudança, a fim de dar às gerações futuras a oportunidade de desfrutar da verdadeira beleza da natureza e nos permitir continuar a viver em harmonia com o nosso planeta?

A Cúpula de Ação Climática da ONU terá lugar em Nova Iorque, em 23 de setembro, para aumentar a ambição e acelerar as iniciativas sobre a emergência climática global e apoiar a rápida implementação do Acordo de Paris para o clima. A cúpula é organizada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.