26 Nov 2019 Reportagem Mudança climática

10 coisas para saber do Relatório sobre a Lacuna de Emissões

O Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2019 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) já está disponível online. Mas, afinal, do que se trata? E por que você deveria se importar? Continue lendo para saber mais.

1. O que é a “Lacuna de Emissões”?

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Foto de Pixabay

A Lacuna de Emissões também poderia ser chamada de “Lacuna de Compromisso”. Ela representa a diferença entre o que precisamos fazer e o que realmente estamos fazendo para combater as mudanças climáticas. É a comparação entre o nível de emissões que o mundo precisa alcançar e o nível de emissões projetadas dos países baseadas nos seus compromissos atuais de descarbonização.

2. Por que a Lacuna de Emissões importa?

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Foto do PNUMA

A Lacuna é importante porque, se não conseguirmos diminuí-la e cumprir a meta de redução de emissões, enfrentaremos impactos climáticos cada vez mais graves em todo o mundo.

3. O que o Relatório sobre a Lacuna de Emissões mede?

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Foto de Pixabay

Este relatório anual do PNUMA examina o avanço dos países para diminuir esta lacuna por meio de seus compromissos de redução de emissões para, em última instância, frear as mudanças do clima.

O Relatório sobre a Lacuna de Emissões mede e projeta três tendência principais:

  1. A quantidade de emissões anuais de gases de efeito estufa até 2030;
  2. Os compromissos que os países estão assumindo para reduzir suas emissões e o impacto que esses compromissos provavelmente terão na redução geral de emissões;
  3. O ritmo em que as emissões precisam ser reduzidas para atingir um nível de emissão baixa o suficiente para limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC de modo acessível.

O relatório também identifica oportunidades importantes para cada país para aumentar o ritmo dos cortes de emissões necessários para fechar a lacuna.

4. Como estamos nos saindo?

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Nos 10 anos de produção do relatório, a diferença entre o que deveríamos estar fazendo e o que realmente fazemos está grande.

Às vésperas de 2020, precisamos reduzir as emissões em 7,6% por ano, entre 2020  e 2030. Caso contrário, perderemos nossa última chance na história para limitar o aquecimento global a 1,5°C. Se não fizermos nada além dos nossos compromissos atuais e incongruentes para interromper as mudanças climáticas, podemos esperar um aumento de temperatura de 3,2°C acima dos níveis pré-industriais, com efeitos devastadores.

5. Por que as reduções anuais são tão importantes?

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Dez anos atrás, se os países tivessem promovido ações baseadas nestas pesquisas, os governos precisariam reduzir as emissões em apenas 3,3% por ano. Hoje, precisamos reduzir as emissões em 7,6% a cada ano. Em 2025, o corte necessário terá aumentado para 15,5% por ano. A cada dia de atraso, os cortes se tornam mais extremos, difíceis de realizar e caros. Conheça mais aqui

6. De onde vêm as emissões?

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Os países do G20 são coletivamente responsáveis por 78% de todas as emissões, mas apenas cinco membros do G20 (a União Europeia e quatro membros individuais) assumiram compromissos de longo prazo para alcançar a neutralidade de emissões. Entre eles, três estão atualmente em processo de aprovação de legislação relacionada e dois tiveram uma legislação aprovada recentemente. Os quatro principais emissores (China, Estados Unidos, UE28 e a Índia) contribuíram com mais de 55% do total de emissões na última década - excluindo as emissões decorrentes de mudanças no uso da terra, como pelo desmatamento. Se as emissões resultantes de mudanças no uso da terra fossem incluídas, a classificação mudaria, com o Brasil provavelmente sendo o maior emissor. A maior parcela das emissões vem do setor de energia e das emissões de combustíveis fósseis decorrentes dele. O setor industrial fica em segundo lugar, seguido pela silvicultura, transporte, agricultura e construção. Saiba mais aqui

7. Ainda podemos fechar a lacuna? Podemos, sim!

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Foto de Pixabay

A mudança do clima ainda pode ser limitada a 1,5ºC. Precisamos reduzir nossas emissões pela metade até 2030. Para isso, devemos diminuir as emissões em 7,6% por ano a partir de 2020. A boa notícia é que temos a tecnologia e a ciência para descarbonizar nossas fontes de energia, nossos sistemas de transporte e nossas cidades. Temos o conhecimento necessário para interromper o desmatamento e promover o reflorestamento em larga escala. Essas ações são acessíveis hoje. O que precisamos é de compromisso. Compromisso dos governos e apoio de seus cidadãos.

Felizmente, também há, hoje, um amplo entendimento dos múltiplos benefícios das ações sobre a mudança do clima, como um ar mais limpo, mais saúde, cidades mais verdes e crescimento no setor de energia renovável. As opções de ação e a vontade de implementá-las estão crescendo tão rapidamente quanto esse entendimento.

8. Quais são as possíveis soluções para fechar a lacuna?

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Foto de Unsplash

Uma descarbonização completa do setor de energia é necessária e possível. As energias renováveis ​​e a eficiência energética são essenciais para a transição energética. O potencial de redução de emissões, por conta da eletrecidade gerada a partir de fontes renováveis, totaliza 12,1 gigatoneladas até 2050. Isso equivale à produção anual de quase dois milhões e meio de usinas de carvão: mais do que estão operando no mundo hoje. A eletrificação do transporte pode reduzir as emissões de CO2 do setor em 72% até 2050. Cada setor e cada país tem oportunidades únicas de aproveitar as energias renováveis, proteger os recursos naturais, nossas vidas e meios de subsistência e fazer a transição para um caminho de descarbonização.

9. O que o meu país está fazendo exatamente?

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Foto de Pixabay

Confira quais países têm atualmente os compromissos mais ambiciosos e quais países atualizaram recentemente seus compromissos. O seu país é membro do G20? Veja aqui a nossa análise detalhada e nossas recomendações sobre as maiores oportunidades para cada membro do G20 para descarbonizar mais rapidamente.

10. O que eu posso fazer a respeito? Se você estiver com pouco tempo, leia nossa história interativa ou assista o nosso vídeo. Para informações e recomendações detalhadas, leia o relatório. Informe-se, compartilhe a ciência e incite as pessoas com poder de decisão a agir agora.