10 Feb 2020 Reportagem Educação e meio ambiente

Quem inspira as cientistas e lideranças do PNUMA?

Durante séculos, o papel das mulheres na ciência foi subestimado. Raios-X, movimentos ambientalistas e até a descoberta de matéria escura, todos ocorreram graças ao trabalho de mulheres na ciência; no entanto, na maioria dos casos, as mulheres receberam pouco reconhecimento e foram discriminadas por seus colegas. Essas mulheres lutaram para aprofundar o conhecimento científico e quebrar as barreiras de gênero. Hoje, suas descobertas e realizações continuam a inspirar inúmeras outras a seguirem carreiras na ciência.

Segundo dados das Nações Unidas, menos de 30% dos pesquisadores científicos em todo o mundo são mulheres. Por isso, para celebrar as conquistas das mulheres na ciência e incentivar a participação das meninas nos estudos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, as Nações Unidas fizeram do dia 11 de fevereiro, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.

Para comemorar este dia, conversamos com cinco mulheres do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) sobre as lideranças femininas que as inspiraram a seguir um caminho na ciência, na tecnologia, na engenharia e na matemática.

Joyce Msuya

Secretária-Geral Adjunta das Nações Unidas e Diretora Executiva Adjunta, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente

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Na Tanzânia, não era comum uma menina estudar física, química e biologia. No entanto, eu tinha uma diretora e mentora maravilhosa, Mama Kamm, que acreditava que as meninas deviam fazer ciência. Ela me inspirou a querer um diploma em imunologia e bioquímica. Tornou-se claro para mim o quanto esse campo era dominado por homens quando participava de competições ou eventos científicos e percebia que era uma das poucas mulheres participantes. Parecia assustador na época, mas me ajudou a criar a resiliência que mais tarde precisaria para trabalhar em outros ambientes dominados por homens. Iniciei minha carreira como pesquisadora, mas mais tarde me dediquei à saúde e políticas públicas e, hoje, ao meio ambiente. Foi minha base científica que tornou isso possível.

 

Musonda Mumba

Chefe da Unidade de Ecossistemas Terrestres

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Fui criada no norte rural da Zâmbia pela minha avó, Lizzie Musonda Mumba, que amava a natureza. Ela levava a mim e à minha irmã gêmea para passear em nossa região, que é coberta por pântanos e por corpos de água doce incríveis. Ela queria nos ensinar sobre como as áreas úmidas fornecem alimento para a nossa comunidade. Ela também nos dizia os nomes locais dos pássaros que visitavam as zonas úmidas. Só descobri muito mais tarde que fazíamos parte de um caminho de aves migratórias.

Irmã Matandiko, uma de minhas professoras, que era freira e cientista católica, também foi uma grande inspiração para mim. Ela tinha como missão pessoal garantir que nós meninas não nos sentíssemos intimidadas com o estudo da ciência e que participássemos de feiras científicas. Na verdade, ganhei alguns prêmios nessas feiras, o que me deixou incrivelmente feliz. Quando terminei o ensino médio, tinha certeza de que queria fazer algo na área de conservação ou de meio ambiente. Acabei como uma das poucas mulheres da Universidade da Zâmbia a se inscrever no curso de Conservação e Educação.

Doreen Robinson

Chefe de Vida Selvagem, Divisão de Ecossistemas

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Eu sabia que queria trabalhar com vida selvagem desde quer era criança e sempre tive muitas perguntas sobre como a natureza funciona. Conheci Sheila O'Connor em meados dos anos 90, quando ela trabalhava para o World Wildlife Fund. Ela me contratou logo após a faculdade para trabalhar no desenvolvimento de novas abordagens para a conservação de grandes terras e paisagens marinhas. O’Connor tem doutorado em biologia aplicada pela Universidade de Cambridge. Ela tem uma mente afiada e questionadora, e uma maneira de questionar e ver o mundo que abriu minha mente. Sua natureza inquisitiva e questionadora era contagiosa e seu espírito era de abertura e inclusão. O’Connor me mostrou como buscar abordagens baseadas em evidências, mas ela tinha uma maneira interdisciplinar de pensar que abria novas soluções. Ela usava a ciência como convocadora para gerar novas ideias e parcerias. Ao contrário de muitos outros cientistas com quem eu trabalhava, que pareciam adotar uma abordagem mais "protetora" de seu próprio trabalho, O'Connor me mostrou que, ao compartilhar nosso conhecimento, nossas ideias e nossas perguntas com outras pessoas, nós, na realidade, ampliávamos nosso conhecimento e tínhamos mais influência. Ela me levou a fazer uma ponte entre os mundos das ciências naturais, sociais e econômicas e refinar minhas habilidades de comunicar essas ideias para um público mais amplo para encontrar soluções práticas e reais. O’Connor me inspirou a ser uma cientista prática, do mundo real, que aborda os maiores desafios da natureza com humildade, empatia e uma abordagem colaborativa.

Tunnie Srisakulchairak

Oficial de Programa, Escritório Regional da Ásia e do Pacífico

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Sempre fui encantada pelas maravilhas do nosso planeta, mas foi na universidade que eu realmente peguei gosto pela ciência, graças a uma das minhas professoras. Na International Pacific University, fiz um curso durante minha graduação ministrada por Christine Muckersie. Ela me aproximou da natureza e me inspirou a entendê-la melhor. Lembro-me de uma aula com carinho, quando ela nos levou para fora para explicar a formação das nuvens. Isso abriu meus olhos para a maneira como os sistemas do nosso planeta interagem. Eu não a tive como professora depois dessa matéria, mas ela sem dúvida me inspirou a conquistar meus diplomas ambientais e a minha profissão subsequente. O que ela ensinou sobre interligações na natureza ainda me ajuda hoje, já que estamos trabalhando para resolver tantos problemas ambientais conectados. Uma grande parte do que faço agora, e inspirada por ela, é compartilhar minha paixão pelo planeta com o maior número possível de estudantes.

Georgina Athamandia Avlonitis

Coordenadora de Projetos, Jovens Campeões da Terra

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Eu cresci em uma grande família grega na África do Sul, cocriada por minha mãe e minha avó (Nonna). Minhas primeiras lembranças foram de Nonna me pegando pela mão e me levando pelo seu jardim selvagem, tocando e cheirando as folhas e flores. Sempre plantando, sempre inspecionando, sempre cuidando das capuchinhas, dos gerânios, dos lírios, estrelícias, gazânias. Ela me ensinou o nome de cada uma. Há algo tão poderosamente conectivo em nomear alguma coisa, seja uma emoção, uma pessoa ou uma planta. Quando criança, plantas inanimadas de repente se tornaram amigas maravilhosas quando eu conheci seus rostos e seus nomes. Minha Nonna foi provavelmente a primeira mulher a trazer o mundo natural vivo a mim. Ela plantou e germinou essa semente.

AlAnoud Alkhatlan

Global Environment Outlook

Desde a minha infância, me sinto inspirada pela natureza. Pela diversidade da flora e da fauna, pelas enormes montanhas e camadas de rochas sedimentares, pelos cristais minerais e pelos desertos que abraçam as costas azuis. Essa inspiração veio dos meus avós, que sempre agiram de maneira sustentável e foram cuidadosos com a natureza, além de terem um vasto conhecimento. Estudar geologia me deixou mais conectado com a mãe Terra. Mudar do Kuwait para o Bahrein para obter meu mestrado e doutorado me deu a oportunidade de conhecer e trabalhar com a heroína do meio ambiente, Asma Abahussain, que me ensinou a expressar meu amor e apreço pelo meio ambiente, ampliando meu horizonte de conhecimento e, me inspirando com a generosidade com a qual divulga o conhecimento científico. Obter um diploma não é o fim da história. A trama continua quando você usa sua educação e o que aprendeu para servir a humanidade, o meio ambiente e o nosso planeta. Além do conhecimento, Abahussain me deu apoio ilimitado e, com sua inspiração, iluminou minha jornada. Eu aprendi que ser mulher não é fácil, especialmente no campo da ciência, particularmente no campo dos ambientes marinho. No entanto, isso me motiva a ser completamente dedicada e apaixonada pelo que faço.

Progredir para alcançar a igualdade de gênero

O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, disse que "a igualdade de gênero nas Nações Unidas é uma necessidade urgente, e uma prioridade pessoal. É um dever moral e uma necessidade operacional. A inclusão significativa de mulheres na tomada de decisões aumenta a eficácia e a produtividade, traz novas perspectivas e soluções para a mesa, libera mais recursos e fortalece os esforços nos três pilares do nosso trabalho".

Os trabalhos do PNUMA promovem a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres na conservação e no desenvolvimento sustentável. As mulheres sofrem desproporcionalmente os impactos das mudanças climáticas e outros riscos ambientais, especialmente nos países em desenvolvimento.

Se você estiver interessado em fazer parte de nossa equipe de ambientalistas, cientistas, pesquisadores e muito mais, dê uma olhada nesta lista de vagas do PNUMA. Ajude-nos também a espalhar a mensagem compartilhando essas vagas com as mulheres que você conhece.

Para imprensa, por favor entre em contato:

Roberta Zandonai, Gerente de Comunicação Institucional, PNUMA, [email protected]