24 Dec 2019 Reportagem Mudança climática

COP25: perspectiva do PNUMA

Mais de 190 nações foram representadas na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática de dezembro de 2019, conhecida como "COP 25" para dialogar, chegar a acordos e avançar a ação climática. Uma delegação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) esteve em Madrid para auxiliar os países a realizarem a transição para um futuro sustentável, de baixo carbono.

Aqui estão algumas das principais conclusões da COP 25 e o que elas significam para o trabalho do PNUMA em 2020.

Quais foram as manchetes da COP25?

  • Os governos se reuniram para responder à crescente urgência da crise climática com algum progresso, mas, afinal, os negociadores não conseguiram chegar a um acordo sobre planos concretos para fortalecer a implementação do Acordo de Paris.
  • As boas notícias vieram da União Europeia, destacadas pelo Secretário-Geral António Guterres. A União Europeia demonstrou vontade e liderança política ao apresentar um novo plano cujo objetivo é atingir carbono zero líquido até 2050. Muitos países com emissões menores concordaram com metas semelhantes de longo prazo, mas outros grandes emissores fora da União Europeia se contiveram.

O que a COP25 esperava alcançar?

O foco da conferência era criar impulso para que os países aumentassem sua ambição de agir sobre a crise climática em 2020. Outro objetivo era de concluir detalhes técnicos do Acordo de Paris, como o funcionamento dos mercados globais de carbono, que determina como os países podem negociar carbono e, portanto, aumentar o custo-benefício dos investimentos em ações climáticas.

Conseguiram?

Houve um reconhecimento da urgência da ação climática, mas os países não chegaram a um acordo sobre algumas das principais áreas. A discussão da maioria dos detalhes técnicos foi deixada para o próximo ano.

O que precisa acontecer agora?

Em 2020, os países deverão apresentar seus planos climáticos atualizados, de acordo com o Acordo de Paris. Será necessária uma forte pressão do público e da indústria para garantir aos formuladores de políticas que a opinião pública e o apetite da indústria os apoiam. O PNUMA continuará apoiando esse esforço e fornecendo conhecimento técnico e científico.

Temos razões para otimismo?

O apoio público ao fortalecimento das políticas climáticas está aumentando em todo o mundo: as dificuldades enfrentadas pelas negociações contrastavam fortemente com um apelo cada vez mais claro do público. Multidões de pessoas foram às ruas de Madrid em apoio à ação climática durante as negociações; essas marchas fecham um ano de protestos climáticos que mobilizaram milhões em apoio à ação climática.

A ciência está clara e alcança mais pessoas do que nunca: uma pesquisa publicada durante as duas semanas de negociações mostrou que as emissões de gases de efeito estufa aumentaram 4% desde que o acordo de Paris foi assinado em 2015. Nos dias anteriores à COP 25, o PNUMA lançou seu 10º Relatório sobre a Lacuna de Emissões, que pede um corte nas emissões de carbono em mais de 7% ao ano na próxima década, para que o mundo cumpra as metas de Paris. O relatório foi amplamente citado durante as negociações e em um evento paralelo em que os cientistas discutiram os resultados com os delegados.

A indústria está se mobilizando: Ministros de Economia participaram das discussões pela primeira vez e muitos lideraram conversas sobre crescimento verde, oportunidades verdes e empregos verdes. A ação climática apresenta oportunidades econômicas e socioeconômicas sem precedentes em vários setores.

Deveríamos estar desapontados(as)?

Sim. Embora não se esperasse que a conferência produzisse um grande avanço em novas metas de emissão, era uma oportunidade importante para liberar todo o potencial do Acordo de Paris. Em vez disso, questões críticas foram adiadas, depois que o consenso se mostrou difícil de alcançar. Essas perguntas precisarão ser adicionadas à agenda de 2020 em vez de já serem resolvidas. Este não é o ritmo de ação que os membros da delegação do PNUMA esperavam, mas é claro que a ação continua, juntamente com as mudanças climáticas.

O que o PNUMA está fazendo agora?

Um: o PNUMA continua apoiando as negociações e os Estados Membros com fatos, ideias e conclusões de nossos cientistas e especialistas técnicos.

Para todos os formuladores de políticas ou partes interessadas que elaboram planos de ação climática para 2020 e para todos os interessados, eis os relatórios mais recentes que o PNUMA lançou e apoiou no período que antecede a COP25:

  • O Relatório sobre a Lacuna de Emissões do PNUMA é um resumo de onde estamos hoje e uma análise das principais oportunidades futuras a serem aproveitadas por países, indústria e indivíduos. É uma revisão anual dos compromissos dos países de reduzir as emissões, comparando-os com o que deveriam ser para limitar as temperaturas globais. Também identifica as oportunidades mais significativas que os países têm para reduzir as emissões e é um recurso para qualquer formulador de políticas que desenvolva planos climáticos para 2020 e além.
  • O Relatório sobre a Lacuna de Produção é o primeiro relatório que avalia os planos e projeções dos países para a produção de combustíveis fósseis, entregue em parceria com o Stockholm Environment Institute.
  • O Relatório Futuro do Vento prevê um aumento de 10 vezes na energia eólica global até 2050. O ritmo do desenvolvimento de tecnologias e mercados eólicos marítimos acelerou mais do que as pessoas esperavam alguns anos atrás.
  • O Painel Internacional de Recursos produziu um novo relatório para os formuladores de políticas, Eficiência de Recursos e Mudança Climática: Estratégias de Eficiência Material para um Futuro de Baixo Carbono. É a primeira análise científica abrangente que estima cortes totais nas emissões de gases de efeito estufa em residências e carros que podem ser alcançados através da eficiência de materiais.
  • O Relatório do Status Global de Edifícios e Construção Civil de 2019 fornece uma atualização sobre os fatores determinantes das emissões de CO2 e da demanda de energia em todo o mundo desde 2017, juntamente com exemplos de políticas, tecnologias e investimentos que suportam estoques de construção com baixo carbono.

Segundo: O PNUMA, juntamente com o sistema da ONU, apoia os países na atualização de suas contribuições nacionalmente determinadas, segundo o mecanismo de catraca de aumento de ambição no Acordo de Paris.

Terceiro: o PNUMA está comprometido em acelerar o entendimento de por que é fundamental maximizar soluções baseadas na natureza para combater as mudanças climáticas. As estatísticas são fortes. Por exemplo, se o desmatamento fosse um país, seria o terceiro maior emissor de CO2 depois dos Estados Unidos e da China, razão pela qual a proteção de florestas em pé, 70% das quais estão ameaçadas pelo desmatamento, e a restauração de paisagens degradadas, são tão importantes.

Quarto: O PNUMA está mobilizando o apoio do setor financeiro para a ação climática: em menos de três meses desde o lançamento da Net Zero Asset Owners Alliance na Cúpula do Clima da ONU em setembro, o número de membros mais que dobrou.

O que acontece agora?

Os países devem enviar suas ambições climáticas aprimoradas e contribuições nacionalmente determinadas até setembro de 2020. A próxima conferência climática, a COP 26, será realizada pelo Reino Unido em Glasgow em novembro de 2020. Para um resultado bem-sucedido, todos os líderes precisam intensificar suas ações e tornar-se exemplos de cooperação e liderança global que marcará a história.