26 Nov 2019 Notícia Mudança climática

Corte de emissões globais precisa ser de 7,6% ao ano, afirma relatório da ONU

  • Com os atuais compromissos, o mundo caminha para um aumento de temperatura de 3,2°C.
  • As tecnologias e o conhecimento necessários para reduzir as emissões já existem, mas as transformações precisam começar já.
  • Os países do G20 respondem por 78% de todas as emissões, mas 15 membros do G20 não se comprometeram com um cronograma para emissões líquidas zero.

Genebra, 26 de novembro de 2019 – Às vésperas do ano em que as nações deverão fortalecer seus compromissos climáticos de Paris, um novo relatório lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) faz um alerta. A menos que as emissões globais de gases de efeito estufa (GEEs) caiam 7,6% ao ano entre 2020 e 2030, o mundo perderá a oportunidade de entrar na trajetória rumo à meta do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura em até 1,5°C.

O Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2019 (Emissions Gap Report, em inglês) do PNUMA afirma que, mesmo que todos os compromissos atuais sob o Acordo de Paris sejam implementados, as temperaturas deverão subir 3,2°C, trazendo impactos climáticos ainda maiores e mais destrutivos. Para alcançar a meta de 1,5°C, a ambição coletiva precisa aumentar em mais de cinco vezes em relação aos níveis atuais para proporcionar os cortes necessários na próxima década.

O ano de 2020 é um ano crítico para a ação climática. A conferência das Nações Unidas sobre mudança do clima, em Glasgow, objetiva determinar o curso futuro dos esforços para evitar a crise. Nela, os países precisam intensificar significativamente seus compromissos climáticos.

"Por dez anos, o Relatório sobre a Lacuna de Emissões tem soado o alarme, e por dez anos o mundo só aumentou suas emissões", disse o Secretário-Geral da ONU, António Guterres. "Nunca foi tão importante dar ouvidos à ciência. A não observação desses avisos e tomar medidas drásticas para reverter as emissões implica que continuaremos a testemunhar ondas de calor mortais e tempestades e poluição catastróficas”.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alertou que se a temperatura ultrapassar 1,5°C a frequência e a intensidade dos impactos climáticos, como as ondas de calor e tempestades testemunhadas em todo o mundo nos últimos anos, aumentarão.

"Nosso fracasso coletivo em agir cedo e com firmeza com relação às mudanças climáticas significa que agora precisamos realizar grandes cortes nas emissões, de mais de 7% ao ano, se forem distribuídos uniformemente na próxima década", afirmou Inger Andersen, Diretora Executiva do PNUMA. “Isso mostra que os países simplesmente não podem esperar até o final de 2020, quando precisaremos de novos compromissos climáticos, para intensificar suas ações. Eles e todas as cidades, regiões, empresas e indivíduos devem agir agora”.

“Precisamos de vitórias rápidas para reduzir as emissões o máximo possível em 2020, e Contribuições Nacionalmente Determinadas (CNDs) mais fortes para iniciar as principais transformações em economias e sociedades. Precisamos compensar os anos em que procrastinamos”, acrescentou. "Se não fizermos isso, a meta de 1,5°C estará fora de alcance antes de 2030".

Os países do G20 respondem coletivamente por 75% de todas as emissões, mas apenas cinco membros do G20 se comprometeram com uma meta de emissões zero a longo prazo.

No curto prazo, os países desenvolvidos terão que reduzir suas emissões mais rapidamente que os países em desenvolvimento, por razões de justiça e equidade. No entanto, todos os países precisarão contribuir mais para os efeitos coletivos. Os países em desenvolvimento podem aprender com os esforços bem-sucedidos nos países desenvolvidos e podem até ultrapassá-los e adotar tecnologias mais limpas em um ritmo mais rápido.

O relatório diz que todas as nações precisam aumentar substancialmente a ambição em suas CNDs, como são conhecidos os compromissos de Paris, em 2020 e acompanhar políticas e estratégias para implementá-las. Estão disponíveis soluções para viabilizar o cumprimento das metas de Paris, mas elas não estão sendo implantadas com rapidez suficiente ou em escala suficientemente grande.

A cada ano, o relatório do PNUMA avalia a diferença entre as emissões previstas para 2030 e os níveis consistentes com as metas de 1,5°C e de 2°C do Acordo de Paris. O relatório constata que as emissões de GEE aumentaram 1,5% ao ano na última década. As emissões em 2018, incluindo as mudanças no uso da terra, como o desmatamento, atingiram uma nova alta de 55,3 gigatoneladas de CO2 equivalente.

Para limitar o aumento das temperaturas, as emissões anuais em 2030 precisam ser 15 gigatoneladas de CO2 equivalente mais baixas do que as CNDs atuais para a meta de 2°C e 32 gigatoneladas mais baixas para a meta de 1,5°C. Em termos anuais, isso significa reduções de 7,6% ao ano entre 2020 a 2030 para cumprir a meta de 1,5°C e 2,7% ao ano para a meta de 2°C.

Para cumprir esses cortes, os níveis de ambição nas CNDs precisam aumentar pelo menos cinco vezes para a meta de 1,5°C e três vezes para os 2°C.

De acordo com o relatório, as mudanças do clima ainda podem ser limitadas a 1,5°C. Há uma maior compreensão dos benefícios adicionais da ação climática, como ar limpo e o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Existem muitos esforços ambiciosos de governos, cidades, empresas e investidores. As opções de soluções e a pressão e vontade de implementá-las são mais abundantes do que nunca.

Como ocorre todos os anos, o relatório concentra-se no potencial de setores específicos para proporcionar cortes de emissões. Em 2019, ele analisa a transição energética e o potencial de eficiência no uso de materiais, o que pode ajudar bastante a diminuir o déficit de emissões.

 

NOTAS AOS EDITORES

Acesse o Relatório na íntegra aqui

Citações adicionais

Niklas Höhne, Sócio Fundador do NewClimate Institute

“A transformação está começando pequena, mas está se expandindo rapidamente. Constatamos que em todas as áreas, alguns atores estão promovendo ações verdadeiramente ambiciosas. Metas de emissão zero e metas de uso de fontes 100% renováveis, por exemplo, ​​estão se espalhando rapidamente, mas também compromissos para emissões zero na indústria pesada, impensáveis há apenas alguns anos atrás, começam a emergir. O que é necessário agora é a divulgação em âmbito global destes exemplos”.

John Christensen, Diretor da Parceria do PNUMA-DTU

"Se olharmos para os últimos 10 anos do Relatório sobre a Lacuna de Emissões, é muito preocupante que, apesar dos muitos avisos, as emissões globais continuaram aumentando e não parecem estar alcançando o ápice tão cedo.

As reduções necessárias somente podem ser alcançadas com a transformação do setor de energia. A boa notícia é que, como na maioria dos lugares as energias eólica e solar tornaram-se a fonte mais barata de eletricidade, os principais desafios agora são projetar e implementar um sistema descentralizado e integrado".

Sobre o PNUMA

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