11 Mar 2019 Story Cities and lifestyles

Quanto custa sua pesquisa?

Você sabia que assistir filmes e séries ou pesquisar conteúdo online tem um custo para o meio ambiente?

Cada mensagem de texto ou e-mail que você envia e cada foto que você faz upload para a nuvem tem um impacto ambiental.

Frequentemente pensamos na Internet - que é vital em vários aspectos de nossas vidas - como uma nuvem transferindo dados pelo ar sem emitir gases de efeito estufa. Mas a Internet depende de muitos recursos físicos. Cabos subterrâneos alimentam de energia centros enormes de dados, e a maior parte das máquinas que transmitem nossas buscas na internet dependem de combustíveis fósseis.

O Greenpeace estima que globalmente os setores de informação e tecnologia consomem cerca de sete por cento da energia mundial. Em 2015, só a transmissão de vídeos foi responsável por cerca de 60% do uso de internet global.Para 2020, a previsão é que este número chegue a 80%.

A internet é uma máquina invisível”, afirmou Mark Radka, chefe do departamento de energia e clima da ONU Meio Ambiente. ”Não vemos a imensa infraestrutura que alimenta as nossas atividades online e, na maior parte do tempo, ficamos afastados destes processos. Isso significa que não associamos mentalmente o uso da internet e os impactos ambientais decorrentes”.

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A Internet cria quatro áreas chave de demanda por energia: centros de dados, redes de comunicação, dispositivos para consumidores e a produção dos equipamentos.

Maior, mas melhor?

A internet cria quatro áreas de demanda por energia: centros de dados, redes de comunicação, dispositivos para consumidores (como smartphones e computadores) e a produção dos equipamentos para todas as áreas.

Algumas soluções inovadoras têm sido exploradas para aumentar a eficiência dos centros de dados e produzir ares-condicionados que economizam energia. O Google, por exemplo, relata que seus 14 centros de dados - que alimentam o funcionamento do Gmail, YouTube e ferramentas de buscas em quatro continentes  - usa 50%  menos energia do que outros centros.

Em relação a cinco anos atrás, os centros de dados da Google são sete vezes mais eficientes, ou seja, hoje fornecem sete vezes mais poder de computação com a mesma quantidade de energia. Já o Alibaba utiliza água natural de um lago para resfriar seus servidores em um de seus centros e está explorando uma torre eólica para resfriar os servidores de outro.

A internet é provavelmente a maior construção humana- e só está se expandindo. De acordo com pesquisadores, o uso da internet deverá triplicar até 2020. É hora de encontramos outras maneiras para administrar nossas necessidades digitais.

“Apenas o fato de ter consciência de que tudo o que se faz na internet tem um impacto no mundo real já e um bom começo”, disse Radka. “Quando as empresas são pressionadas por seus consumidores, elas priorizam a prestação de contas ambientais e fornecedores sustentáveis”.

Em meio a preocupações globais sobre as mudanças climáticas, clientes estão procurando cada vez mais por fontes limpas de energia, o que reduz os custos da energia renovável. A competição entre as marcas eleva a sustentabilidade dentro de suas agendas. Gigantes como Apple, Facebook e Google, por exemplo, já se comprometeram a obter 100% de sua energia a partir de fontes renováveis, reduzindo impactos e aprimorando a eficiência energética.

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Clientes estão procurando cada vez mais por fontes limpas de energia, reduzindo os custos.

Colocando dados para trabalhar pelo meio ambiente

A maior parte destas melhorias depende de processamento mais eficiente e inteligência.

Erick Litswa, administrador dos Sistemas de Informações Reportadas por Indicadores da ONU Meio Ambiente, afirma que em em questão de melhorar a eficiência, os detalhes são os mais relevantes - ou pelo menos a análise.

Dados - e a habilidade de analisa-los e entendê-los - estão se tornando cada vez mais valorizados. Compartilhar tendências que atravessam a confusão de dados é parte de nossa responsabilidade coletiva, e é neste quesito que as grandes companhias de internet podem beneficiar a comunidade global, observou Litswa.

“Há vinte anos, uma pessoa procurando uma resposta podia compartilhar a pergunta com 10 pessoas de seu vilarejo. Hoje, algoritmos e a inteligência artificial respondem dúvidas de todas as partes do mundo em segundos, atravessando a multiplicidade de dados para encontrar as melhores respostas.“

“Isso aumentou significativamente a efetividade das buscas. Compartilhar estes dados poderia ter grandes benefícios coletivos para o meio ambiente. Por exemplo, imagens de satélite podem nos ajudar a catalogar o desmatamento, ou mostrar onde a água está vazando ou sendo desperdiçada, contribuindo para um uso mais eficiente da água”.

Algumas organizações vão mais adiante. A ferramenta de busca Ecosia diz que compensa as emissões de suas buscas com o plantio de árvores em certas comunidades. Mas até os sistemas de compensação não enfrentam o problema de consumo excessivo.

Para isso, devemos utilizar menos energia. E enquanto as tendências atuais apontam na direção contrária, podemos caminhar para a limitar nossas necessidades digitais. Fazer um detox digital é bom para o planeta e provavelmente para você.