30 Apr 2019 Story Ar

Melhores práticas para semear, por um ar mais limpo e maior resiliência as mudanças climáticas

Edmond Prifti, um especialista em projetos e investimentos de Kolonja, na Albânia, tenta há anos cultivar certas espécies de árvores em sua cidade. Embora terras em posse do Estado estejam prontas para esse fim, a falta de conhecimentos de Prifti dificultou bastante o progresso na empreitada. A Albânia tem sido palco de uma série de episódios infelizes na área ambiental, incluindo desmatamento, extração ilegal de madeira, erosão e enchentes. Esses acontecimentos contribuem para tornar a degradação do solo um grande problema no país.

“A degradação do solo agrícola e das pastagens, junto com o desmatamento dramático, representa um sério risco à segurança socioeconômica geral da região dos Bálcãs Ocidentais, especialmente levando em conta as rápidas mudanças climáticas”, afirma Sonja Gebert, da ONU Meio Ambiente. As temperaturas nos Bálcãs Ocidentais devem aumentar 1,2°C no futuro próximo. Até o final do século, a elevação pode variar de 1,7 a 4,0°C, dependendo dos níveis de emissões globais de gases do efeito estufa. O aquecimento terá grandes impactos na agricultura, silvicultura e saúde da região.

Florestas em todo o mundo são extremamente importantes por uma série de razões, desde a purificação do ar que respiramos até o fornecimento de habitats para milhares de espécies, passando pela garantia de meios de subsistência para os seres humanos. Quando geridas de forma sustentável, as florestas podem ser uma ajuda valiosa na mitigação ou adaptação às mudanças climáticas.

Para ajudar pessoas como Prifti a superar lacunas de conhecimento, a ONU Meio Ambiente, o Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF) e o Ministério do Turismo e do Meio Ambiente da Albânia uniram esforços para promover a gestão sustentável de terras, por meio da restauração de ecossistemas.

O projeto tem o apoio do Centro de Treinamento Florestal da Áustria, que está ajudando autoridades albanesas a capacitar seus agentes. Técnicos austríacos têm compartilhado boas práticas com seus pares albaneses, gerando aprendizado e respostas mais eficientes à degradação do solo. O objetivo é impulsionar a gestão sustentável dos recursos florestais da Albânia.

A ONU Meio Ambiente lembra que esse tipo de cooperação é uma maneira de promover abordagens multilaterais para responder às mudanças climáticas. A troca também pode ter um impacto positivo mais amplo na região dos Bálcãs Ocidentais.

A Áustria é conhecida por seu uso sustentável da terra. Seu setor de florestas se tornou um forte pilar econômico do país, mas sem prejudicar o meio ambiente ou a biodiversidade. O exemplo austríaco mostra que é possível desenvolver um setor próspero de processamento de madeira e, ao mesmo tempo, proteger ecossistemas.

“Gerir nossas florestas com sucesso, dentro de limites ecológicos, econômicos e técnicos, e ao mesmo tempo melhorar a segurança, (isso) exige especialistas com um alto nível de conhecimento teórico e de habilidades práticas”, aponta Johann Zöscher, chefe do Centro de Treinamento Florestal da Áustria, localizado em Ossiach.

Com seus colegas austríacos, autoridades albanesas adquiriram conhecimentos sobre gestão e planejamento de florestas e descobriram como a tecnologia desempenha um papel essencial no setor florestal austríaco. Ela é usada, por exemplo, para colher madeiras e para realizar inventários florestais, produzindo dados que são usados em decisões políticas e também na construção de redes internacionais de monitoramento.

Participantes do workshop aprenderam ainda como produzir e armazenar sementes e mudas. Especialistas austríacos compartilharam habilidades em gestão sustentável de viveiros de árvores. No país, esses “criadouros” funcionam como empresas parcialmente estatais.

“Adotar este tipo de modelo comercial na Albânia, especialmente em Kolonja, onde já temos terras do Estado para este propósito, será um grande passo para ajudar nossas florestas a crescer”, reconheceu Prifti.

O aumento da cobertura florestal também ajudar a diminuir o principal risco à saúde dos nossos tempos derivado de fatores ambientais, a poluição do ar, que todos os anos mata 7 milhões de pessoas no mundo. As principais fontes de poluição do ar são as mesmas que impulsionam as mudanças climáticas — o que significa que esforços para mitigar um problema podem ajudar a combater o outro.

Árvores podem contribuir com essa causa, pois conseguem absorver grandes quantidades de gases causadores do efeito estufa e remover poluentes. Uma única árvore consegue retirar mais de uma tonelada de CO2 da atmosfera durante seu tempo de vida, dando aos viveiros de árvores um bom custo-benefício para limpar o ar e mitigar as mudanças climáticas.

Os benefícios de ecossistemas florestais são amplos e podem ser ambientais, socioculturais e econômicos. A proteção das florestas, por meio de estratégias viáveis de gestão, como a que a Albânia busca, é essencial para garantir um futuro sustentável para todos.

A poluição do ar é tema do Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano, celebrado em 5 de junho. A qualidade do ar que respiramos depende das escolhas que fazemos todos os dias. Saiba mais sobre como a poluição do ar afeta você e o que está sendo feito para limpar o ar. O que você está fazendo para reduzir a pegada das suas emissões? As celebrações do Dia Mundial do Meio Ambiente 2019 serão sediadas pela China.