08 Jan 2019 Story Ecosystems

Lições da China na restauração ecológica de larga escala

Photo by Xiaoqiong

Na década de 1980, a região montanhosa de Qianyanzhou, na província de Jiangxi, sul da China, enfrentou uma severa erosão do solo devido ao desmatamento e a práticas agrícolas insustentáveis. O solo vermelho fértil estava desaparecendo, o que fez com que os rendimentos das colheitas caíssem.

Mas uma mudança notável ocorreu nos últimos 30 anos graças a um plano de uso da terra apoiado pelo governo chinês que reflorestou montanhas superiores, plantou pomares cítricos em declives moderados e arrozais nos fundos dos vales. Em poucos anos, esse mosaico de uso sustentável da terra passou a gerar rendas mais altas. A biodiversidade e a qualidade ambiental, assim como o microclima, melhoraram.

No início de novembro de 2018, o chefe do setor de água doce, terra e clima da ONU Meio Ambiente, Tim Christopherson, juntamente com sua colega Xiaoqiong Li, visitou vários locais na região para entender melhor como funciona a restauração ecológica em larga escala.

image
Tim Christophersen com oficiais de floresta. Foto de Xiaoqiong Li

Huimin Wang, diretor de uma estação de pesquisa ecológica em Ji’an, na região de Qianyanzhou, informou às Nações Unidas sobre o problema existente anteriormente e o papel do centro na restauração da paisagem.

“Trinta anos atrás, essa área estava desnudada de árvores e vulnerável a deslizamentos de terra. Os barrancos de erosão lavaram o solo vermelho fértil”, diz Wang.

image
O chefe do setor de água doce, terra e clima da ONU Meio Ambiente, Tim Christopherson (centro), visitou vários locais na região chinesa para entender melhor a restauração ecológica em larga escala. Foto: Fengting Yang

“Montamos essa estação de pesquisa ecológica para descobrir a melhor forma de restaurar a terra. Reunimos especialistas de todo o mundo, inclusive da Agência Federal para a Conservação da Natureza da Alemanha.”

A pesquisa focou na otimização da estrutura da floresta e em como melhorar seus serviços ecossistêmicos; na estrutura e funções da ecologia florestal; na promoção do ciclo de carbono, de água e nutrientes em ecossistemas florestais sob as mudanças climáticas; e em um modelo de atualização de Qianyanzhou a ser alcançado, melhorando os benefícios ecológicos e econômicos na bacia hidrográfica.

Outro elemento-chave do processo de restauração foi o agro-florestamento, apoiado pelo governo local: os agricultores continuaram a cultivar grãos como amendoim, gergelim e legumes entre os pomares restaurados e criaram galinhas Silkie (de ossos pretos e plumagem fofa) em pomares e plantações florestais. Isso garantiu o retorno econômico nos estágios iniciais do projeto e ajudou a melhorar a fertilidade do solo. Além de construir represas e lagoas, as agências governamentais forneceram empréstimos às famílias para ajudá-las a começar.

image
Xiaoqiong Li, da ONU Meio Ambiente, com as galinhas Silkie. Foto: Fengting Yang

História de sucesso

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de 21,9%, ou 206.861.000 hectares da China, foram reflorestados em 2010. Em apenas uma década, a iniciativa de restauração de Qianyanzhou e ações semelhantes em todo o país aumentaram a área florestal total da China em 74,3 milhões de hectares. A cobertura florestal de Qianyanzhou aumentou de 0,43% para quase 70%.

“Qianyanzhou é uma história de sucesso de restauração em larga escala que vale a pena aprender”, diz Tim Christophersen, da ONU Meio Ambiente. “Espero que o governo da China continue compartilhando as lições aprendidas aqui e em outras províncias e continue investindo na restauração do clima, da biodiversidade e nos benefícios econômicos”.

Os esforços de restauração de Qianyanzhou ajudaram a região e o país a dar um grande passo na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em particular os Objetivos 1 (erradicação da pobreza), 6 (água e saneamento), 8 (trabalho decente e crescimento econômico), 12 (consumo e produção responsáveis), e 15 (vida terrestre), bem como o Desafio de Bonn e a Declaração de Nova Iorque sobre Florestas, todos os quais se enquadram no programa de trabalho da ONU Meio Ambiente.

As florestas são uma importante e necessária frente de ação na luta global contra as mudanças climáticas catastróficas, graças à sua incomparável capacidade de absorver e armazenar carbono. As florestas capturam dióxido de carbono a uma taxa equivalente a cerca de um terço da quantidade liberada anualmente pela queima de combustíveis fósseis. Parar o desmatamento e restaurar as florestas danificadas, portanto, poderia fornecer até 30% da solução climática.

O Programa Colaborativo das Nações Unidas para Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação Florestal em Países em Desenvolvimento (Programa UN-REDD) foi lançado em 2008 e se baseia no papel de convocação e perícia técnica da FAO, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e ONU Meio Ambiente.

Para mais informações, entre em contato com:

Flora Pereira, Gerente de Comunicação e Informação Pública, ONU Meio Ambiente no Brasil